DEPOIMENTOS

ITA

"Seus trabalhos vão além da representação da aparência e atmosfera naturais.Não se trata, simplesmente, de retratar este ou aquele espécime botânico, mas ao contrário, recriar e transmitir o que de verdadeiro nele existe.

Muitas de suas obras, embora retratadas realisticamente são embuidas de uma qualidade sobrenatural e quase etérea. É como se o realismo dessa artista fosse capaz de capturar, não só a superfície da vida, mas um fragmento da sua própria alma.

Sylvia Amélia extremamente relacionada com o modelo no qual se alicerça é fiel igualmente à textura e às cores naturais. Atinge elevado nível artístico por transcender os limites da documentação. Seu enfoque visual é único, o que caracteriza o seu estilo. A intensidade das cores, a elegância das composições e o tom de reverência, apreendem a beleza, a energia e a diversidade da natureza. Através de sua pintura nos sentimos tocados pela sua atmosfera, e seus mistérios ganham forma. Existe uma apreensão visionária do mundo em que vivemos.

A sensibilidade que produz seu trabalho, concebe o homem e a natureza, não como opostos, mas complementares e a arte brotando dessa união. Nessa perspectiva, o sagrado não é só uma virtude celestial, mas uma parte intrínseca do reino natural. É uma celebração à maestria e à estética.

Ela bem sabe que para reproduzir uma orquídea, por exemplo, há que captar algo sutil, por poucos definido, mas por muitos sentido. Sua arte vai além da simples ilustração científica, atinge a essência escondida, mascarada e transpassa a crosta exterior, apresentando seu conteúdo recôndito.

Sylvia Amélia mais do que documentarista é intérprete - é intérprete inspirada."

ETIENNE DEMONTE
Pintor naturalista brasileiro com várias obras publicadas e expostas no Brasil e no exterior em coleções públicas e particulares como Hunt Institut, onde realizou uma individual e uma coletiva e teve obras adquiridas por esta instituição. Participou também de uma coletiva no Ken Gardens (Londres), entre outras.

 

"Quem já viu um pintor trabalhando sabe como ele usa as mãos, o exercício táctil, o sentido háptico de uma tarefa que exige, mais do que habilidade manual, capacidade de tocar, sentir os instrumentos de trabalho, os materiais enfim, tudo o que é corpóreo.

Considero que esta talvez seja a melhor maneira de apresentar a arte de Sylvia Amélia de Hungria de Machado.

Seu grande amor pelas plantas que retrata e que, assim, ganham realidade, nos transmitem a sensação de que que foram e que continuam podendo ser tocados e de que, com o tato, iremos sentir toda a forte sobstância de um galho, ou a robustês de um tronco de árvore onde se ancora uma bela espécie de orquídea.

Ilustração botânica? Eu teria uma certa hesitação em dizer que a nossa artista seja uma ilustradora botânica, embora não tenha a menor dúvida quanto ao respeito com que respresenta os caracteres distintivos das planta e flores que pinta. Aí, uma Miltonia cuneata é uma Miltonia cuneata, uma Sophronitis coccinea é perfeitamente reconhecível e assim preenchem alguns dos requisitos que justificam e tornam necessária a ilustração botânica.

Outros, porém, faltam e é isto que faz distinta a pintura de Sylvia Amélia, ou seja, é isto que a faz arte: repositório da visão, do toque e da emoção da artista."

RAIMUNDO MESQUITA
Chairman da 15 Conferência Mundial de Orquídeas (1996)

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