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O
Herpesvírus canino é de difícil diagnóstico.
Costuma no adulto ocasionar uma doença respiratória
do trato superior ou doença do aparelho genital , principalemte
vaginite. Sinais oculares no adulto resume-se a conjuntivite
transitória. Nos neonatos no entanto a doença
desencadeia sintomatologia severa sistêmica com filhotes
de poucos dias desenvolvendo hipotermia severa e sinais de
envolvimento do sistema nervoso central . Os sinais oculares
em neonatos incluem : Panuveítes , queratite , catarata
, neurite do nervo ótico , atrofia do nervo ótico
e displasia retinal.
O Herpesvírus felino é o agente isolado que
mais leva gatos ao nosso ambulatório de oftalmologia
veterinária. Tipicamente encontramos gatinhos de tenra
idade acometidos de severa doença sistêmica ,
apresentando sintomatologia que envolve febre , espirros ,
rinite e traqueíte encontrados em moléstias
do trato respiratório superior. Os sintomas oculares
variam tremendamente podendo estar presente apenas leve conjuntivite
até úlceras corneais que as vezes evoluem para
ruptura corneal com extravasamento dos conteúdos oculares
e perda do olho . Uma das sequelas da Rinotraqueíte
felina mais comuns é a presença de simbléfaro.
Simbléfaro é uma aderência da conjuntiva
palpebral à córnea. A fisiopatologia do desenvolvimento
do simbléfaro parece estar ligado a gatinhos que desenvolveram
úlceras corneais com erosão epitelial e permaneceram
devido à dor provocada pelo espasmo do corpo ciliar
com as pálpebras cerradas por um período longo
de tempo , levando a conjuntiva palpebral a se insinuar na
superfície da úlcera e à ela aderir.
Essas aderências podem variar desde uma insignificante
limitação dos livres movimentos do globo ocular
até a total obstrução do axis visual
do animal acarretando cegueira. Em casos de simbléfaro
avançados fica terminantemente indicado proceder-se
à cirurgia de ceracectomia superficial com remoção
da conjuntiva aderida junto com porções do estroma
corneano e do epitélio. Esta cirurgia deve ser realizado
com auxílio de algum meio de aumento ótico uma
vez que será retirada finíssima camada da córnea
podendo caso haja imperícia provocar-se ruptura corneal
com resultados ainda piores . Uma lupa de cabeça com
potência variando entre 2,5 a 4 vezes de aumento pode
ser utilizada. Alguns cirurgiões veterinários
utilizam a lâmina de bisturi número 15 . Eu na
minha experiência gosto de utilizar a Lâmina da
marca Beaver de número 64 que é totalmente redonda
e permite um trabalho extremamente delicado e preciso na tarefa
de soltar as aderências do simbléfaro. Após
o término da cirurgia é imperioso que se suture
pequena peça de plástico as pálpebras
superiores e inferiores a fim de não ocorrer nova aderência
na ferida corneal . Vários veterinários tentam
tratar herpes animais com drogas antivirais humanas .
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