Cirurgia de catarata
em cães e gatos
  Glaucoma
  Ceratoconjuntivite
seca / ap. lacrimal
  Ceratite ulcerativa
  Conjuntivite
  Tumores palpebrais
  Entrópio/Ectrópio
  Herpesvírus canino e felino
  Uveíte recorrente do equino
  Ceratoconjuntivite bovina
  Síndrome de Horner
  Panuveíte canina(Despigmentação)
  Retinopatias
  Eletroretinografia nos animais
  Distrofias corneais
  Pannus
  Defeitos congênitos
  Seqüestro Corneal Felino
  Glossário Oftalmológico
Glaucoma


Glaucoma é o aumento da pressão intra-ocular do olho . A pressão intra-ocular é mantida pôr complexas reações bioquímicas e algumas enzimáticamente controladas. A grosso modo podemos dizer que na fisiopatologia do glaucoma estão envolvidas a enzima anidrase carbônica que age a nível do corpo ciliar na produção contínua do humor aquoso , o ligamento pectinato , a rede trabecular corneoescleral e a rede trabecular uveal .O humor aquoso é produzido constantemente pelo corpo ciliar. O fluxo que ele segue dentro do olho é o seguinte: Após ser fabricado no corpo ciliar ele passa pelo orifício pupilar e segue na direção do ângulo iridocorneal. O ângulo iridocorneal é composto do ligamento pectinato , rede trabecular corneoescleral e rede trabecular uveal passando pôr essas estruturas e através de uma rede de drenagem venosa da esclera ele ganha a circulação sistêmica. Deficiências em quaisquer dessas estruturas podem levar à glaucoma.

Podemos classifica-lo em Primário e Secundário . No glaucoma Primário temos 3 formas: Ângulo fechado , aberto ou estreito . No glaucoma de ângulo fechado temos uma contração do ligamento pectinato obstruindo o ângulo iridocorneal. No glaucoma de ângulo aberto as estruturas estão normais e o problema deve estar relacionado a rede trabecular corneoescleral , a rede trabecular uveal ou ainda à própria composição do humor aquoso. Este tipo de glaucoma é comum nos Beagles , Poodles toy e miniatura e Cocker spaniel inglês. O glaucoma de ângulo estreito é visto nas raças Fox terrier , Husky siiberiano , Samoyeda e Cocker spaniel americano.

Entre várias patologias capazes de virem a provocar um glaucoma secundário temos mais frequentemente luxações e subluxações , facolítico , catarata intumescente , catarata induzindo uveíte relacionadas ao cristalino . Relacionadas a causas inflamatórias temos as uveítes por doenças sistêmicas como a síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada(Síndrome dermato-uveal) . Glaucomas secundários tambem podem ser ocasionados pôr traumatismos oculares com lesões diretas ou indiretas ao ângulo iridocorneal(incluindo-se iatrogenia cirúrgica) . Alguns glaucomas tambem podem ser provocados pôr tumores intra-oculares primários ou secundários à metástastases sistêmicas. Pôr fim temos os glaucomas de origem congênitos com goniodisgenes mesodermal principalmente nos cães da raça Basset-Hound.

Glaucomas clínicos possuem um conjunto de sinais que devem ser percebidos. No glaucoma iniciante vemos descarga ocular , blefaroespasmos , desconforto , midríase intermitente , hiperemia conjuntival e variação na pressão intra-ocular com diferenças de até 10 mmHg entre a pressão de um olho e outro. No glaucoma clássico a midríase já é permanente , vasos episclerais estão congestos e há dor ocular. Na forma crônica vemos buftalmia e megaloglobus , déficit visual , queratopatia estriada , luxação ou subluxação do cristalino , degeneração retinal e abaulamento do disco ótico (papila). Fora a compreensão desses sinais clinicamente exploráveis so podemos diagnosticar com precisão um glaucoma por tonometria. Tonômetria é a medição da pressão intra-ocular . Ela pode ser feita digitalmente ou com o uso de instrumentos adequados chamados tonômetros. Obviamente a tonometria digital só é viável quando a pressão intra-ocular está bastante elevada sendo inprecisa e inprevisível. Diversos tipos de tonômetros estão disponíveis. Acho pessoalmente que o mais adequado a médicos-veterinários é o tonômetro de Schiotz. Relativamente de baixo custo $ 200,00 a 300,00 dólares possui razoável acurácia necessitando apenas aprender-se a trabalhar com ele( posição que toca à córnea , contenção adequada do animal , etc...) . O melhor sem sombra de dúvida é o tonômetro eletrônico Tonopen ® que pode ser usado em grandes e pequenos animais e é de precisão absoluta seu inconveniente é seu custo entre $ 3000 a 4000 dólares. As pressões intra-oculares normais em pequenos animais se situam entre 15 e 25 mm Hg. Outro equipamento utilizado para se diagnosticar o tipo de glaucoma primário envolvido é o gonioscópio. Vem a ser uma lente de contato com objetivo de cisualizaçào direta do ângulo iridocorneal a fim de se diagnosticar qual tipo de glaucoma primário se trata: aberto,estreito ou fechado.É destinado a especialistas.

Existe uma tendência mundial a considerar o glaucoma uma doença eminentemente cirúrgica. Isto ainda é controverso . No caso dos procedimentos que visam a diminuição da produção do humor aquoso por destruição térmica do corpo ciliar (ciclocriotermia ) os resultados são as vezes frustrantes . Eu pessoalmente não acho muito aconselhável uma vez que não conhecemos até o momento doenças que originem glaucoma a partir de um aumento na produção do humor aquoso . Em termos cirúrgicos alguns cirurgiões veterinários bastante experientes tratam o problema fazendo trabeculectomias ou fistulizações. Existem válvulas comerciais disponíveis para humanos que apresentam resultados nefastos nos cães pois estes apresentam absurdas e as vezes incompreensíveis reações inflamatórias às cirurgias intra-oculares produzindo muita fibrina e estas acabam entupindo mecânicamente as válvulas comerciais disponíveis. Em termos de tratamentos médicos com drogas dispomos de variável arsenal e cada caso responde de uma maneira distinta. Em casos de pressões muito elevadas acima de 50 mm Hg temos que baixar a pressào rápidamente sob risco de lesão irreversível no disco ótico e/ou retina. Para isso fazemos a nível de ambulatório infusão venosa de Manitol 20 % na dosagem de 1 ou 2 gramas do produto por quilograma de peso vivo . Glicerol oral pode ser utilizado na dosagem de 1 ou 2 mililitros por quilo de peso vivo(proibido obviamente à diabéticos). Estes tratamentos clássicos sistêmicos sofrem hoje , controvérsias: parece que a redução brusca da pressão intra-ocular aumentada é tão danosa à retina e ao nervo ótico quanto a sua brusca elevação. Existe uma tendência portanto de se tentar a terapia médica com drogas antiglaucomatosas mesmo em glaucomas com valores de IOP elevados. Institui-se imediatamente terapia tópica. Existem dois grandes grupos de drogas que provocam miose e consequente liberação do ângulo irido-corneal: mióticos parassimpáticomiméticos como a pilocarpina e o carbacol (estimulaçào direta da íris e muscualtura ciliar) e os inibidores da acetilcolinesterase como demecário , ecotiofato e a fisiostigmina( efeitos indiretos por prolongamento da atividade da acetilcolina) Efeitos colaterais são frequentes devendo-se ficar alerta (estimulação parassimpática com salivação , taquicardia , etc...) Outras drogas tópicas de importancia em medicina-veterinária são os Bloqueadores Beta-adrenérgicos como o Maleato de timolol que podem ser usados em combinação com mióticos em casos refratários. Nos últimos anos os inibidores das prostaglandinas como o Latanaprost vem assumindo importante papel no nosso arsenal terapêutico. As drogas orais devem ser utilizadas tomando-se muito cuidado com intoxicações e a manutenção adequada com os níveis de potássio já que estas as espoliam . Acetazolamida na dose de 10 mg por quilo dividida em duas tomadas e diclorfanamida na dose de 5 miligramas por quilo. Em casos desesperadores com perda da visão e incapacidade de controlar a dor devemos pensar em meios de propiciar conforto ao pobre animal com o uso de trabeculectomias , criociclodestruição , enucleação , implante de prótese de silicone e em último dos casos perfazer uma enucleação química com injeção intra-vítrea de sulfato de gentamicina..