A relação entre Criador e criaturas


Um ser superior - Deus - criou o homem. O homem é, portanto, criatura, coisa criada desse SER SUPERIOR. Há, logicamente, entre esses dois seres um vínculo natural, uma ligação. O Criador estabeleceu com o homem um pacto de sujeição e comunicação, constituído de um código de deveres ( uma ordem ). Deus é um Deus de ordem: existe ordem no universo. A religião relembra ao homem sua dependência e seus deveres para com Deus.

O homem, por sua vez, é um universo de realidades físicas e espirituais. Aliás, tudo que o caracteriza como "ser" o é seu bem, pelo qual deve zelar. Às normas desse zelo chamamos moral, que o deve levar a ser o que deve ser. A moral revela ao ser humano os deveres que tem para ser bom, honesto, justo, reto; não por norma ou forças externas, mas por imposição da própria lógica racional, e em vista de sua natureza, origem e destino. A moral impõe deveres do homem consigo mesmo.

O homem é certamente livre, uma vez que pode compreender e acolher os mandamentos de Deus. E goza de uma liberdade bastante ampla; porém sua liberdade não é ilimitada. A lei de Deus não diminui e muito menos elimina a liberdade do homem, pelo contrário, garante-a e promove-a. O concílio diz claramente: "A dignidade do homem exige que ele proceda segundo a própria consciência e por livre adesão, ou seja, movido e induzido pessoalmente a partir de dentro e não levado por cegos impulsos interiores ou por mera coação externa. O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes".

O homem pode reconhecer o bem e o mal, graças àquele discernimento entre o bem e o mal que ele mesmo realiza com a sua razão, em particular com a sua razão iluminada pela Revelação divina e pela fé, em virtude da lei que Deus outorgou ao povo eleito, a começar pelos mandamentos do Sinai.

A universalidade da Lei não põe de lado a individualidade dos seres humanos, nem se opõe à unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa: pelo contrário, abraça pela raiz cada um dos seus atos livres, que devem atestar a universalidade do verdadeiro bem. Submetendo-se à lei comum, os nossos atos edificam a verdadeira comunhão das pessoas e, pela graça de Deus, exercem a caridade, "vínculo da perfeição". Quando, pelo contrário, desconhecem ou simplesmente ignoram a Lei, de forma imputável ou não, os nossos atos ferem a comunhão das pessoas, com prejuízo para todos.

Da responsabilidade vem a liberdade, acompanhada da imputabilidade. A realização da justiça caracteriza o bom uso da liberdade.

O homem foi criado com capacidade para ser livre e possuidor de auto-derminação. Através de sua razão pode compreender como deverá usar sua vontade livre. É a sua consciência que tem a função de esclarecer e discernir o bem do mal. A partir daí, torna-se então responsável pelos próprios atos, diante de Deus e da própria consciência.

Citações Bíblicas


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