Pesquisa para implantação de cursos de Pós-graduação em Comunicação (1)

Delfim Soares

 

 

 

1. Preâmbulo

Pretende-se avaliar as condições do ensino dos cursos de Comunicação em Pós-Graduação, existentes no Brasil, para fundamentar tecnicamente a possível criação de programas de Mestrado e, a médio prazo, de Doutorado na UFF, levando-se em conta os programas já existentes no país e , em especial, na região sudeste, bem como as necessidades do mercado, principalmente no campo acadêmico.

Recebemos material valioso do CNPq, da Intercom, da Divisão de Organização do Ensino Superior do MEC, da Fundação Mudes, da ACAFE e do CFE. A CAPES não respondeu ao nosso pedido de informações, sendo-nos fornecidas algumas de suas publicações pelo CNPq.

Solicitamos informações diretamente, por via postal, às 85 instituições que ministram cursos de Graduação em Comunicação, de acordo com os dados do MEC. Uma das cartas foi devolvida, com indicação dos CTT de que a Faculdade não existia no endereço registrado no MEC. Também verificamos que há cursos funcionando que não constam dos catálogos do MEC; somente na cidade do Rio de Janeiro duas faculdades oferecem cursos de Comunicação que não constam nesse catálogo. Das Faculdades consultadas, 18,82% forneceram informações sobre seus cursos e seu corpo docente. As demais não responderam ao nosso pedido. Das instituições catalogadas no MEC que ministram programas de Mestrado ou Doutorado em Comunicação, nenhuma forneceu dados sobre seus cursos, evidenciando o pouco apreço que a Direção dessas instituições tem pela pesquisa. Apenas uma Universidade da região sul, desenvolvendo um curso de Mestrado em Semiótica, não catalogado no MEC, enviou informações.

Para avaliação dos cursos de Graduação e da qualificação de seu corpo docente servimo-nos dos dados enviados pelas faculdades e de publicações sobre o assunto, em especial das entidades supracitadas, sendo essas a base para análise dos cursos de Pós-Graduação.

 

 

2. Cursos de Graduação em Comunicação Social

 

Distribuição por regiões do Brasil e dependência administrativa:

  Partic Munic. Estad. Federal

Total

Norte 01     03

04

Nordeste 05   02 08

15

Sudeste 36 01 03 05

45

Sul 07 02 02 04

15

C.-oeste 02     04

06

Total 51 03 07 24

85

Fonte: Secretaria de Ensino Superior do MEC.

 

Dos 23 cursos do Estado de S. Paulo, catalogados no MEC, 11 funcionam na capital e dos 13 do Estado do Rio de Janeiro, 10 situam-se na capital. Os dois Estados respondem por 42,35% dos cursos de todo o país, enquanto a região sudeste mantém 52,94% dos cursos de graduação.

 

 

Distribuição por habilitações e regiões do Brasil:

 

Norte

Nordeste

C.oeste

Sudeste

Sul

Total

Cinema

   

01

04

 

05

Publ/Prop.

01

02

03

35

09

50

Jornalismo

03

12

06

38

09

68

Rád/TV

 

03

03

11

 

17

Rel.Públicas

02

08

02

26

10

48

Total

06

25

15

114

28

188

 

Fonte: Guia do Estudante, Ed. Abril, S. Paulo, 1994.

 

Como se pode observar, a região sudeste responde por 80% dos cursos de Cinema, 70% de Publicidade e Propaganda, 55,88% de Jornalismo, 64,7% de Radialismo e TV, e 54,16% dos cursos de Relações Públicas.

 

Corpo discente de graduação:

  I.Públicas

I.Partic

Média de vagas por habilitação 34,47

98.23

Média total de alunos por habilitação 160,95

226,94

Média de graduados por habilitação, por ano 18,04

40,17

Total de alunos vezes o número de vagas 4,66

2,31

Número de graduados sobre as vagas 52,33%

40,89%

Proporção estimada das vagas 18,96%

81,04%

 

Este quadro mostra que o desequilíbrio entre o número de cursos particulares e públicos se torna muito maior quando se consideram as vagas existentes nas instituições públicas e as que são oferecidas no ensino privado. Sugere-se pesquisa para desvendar as questões subjacentes neste quadro que poderá ajudar a explicar as razões da degradação do ensino no Brasil.

A mercantilização da educação brasileira tem dominado todo o "sistema" e a Comunicação Social não é exceção, quando se observa o inchaço do ensino privado e a crescente atrofia do ensino público.

Agravante desta situação é a proliferação de universidades particulares, transformando a autonomia acadêmica em centro de fertilização mercantil.

A partir dos números fornecidos pelas faculdades que responderam à pesquisa, pode-se estimar em cerca de 13.680 o total de alunos dos cursos públicos de Comunicação e em 28.934 os alunos dos cursos particulares, dando um total de 42.614 estudantes no país.

Com base na proporção entre o número de vagas e número de graduados no último ano, estima-se um total de graduados de 1533 no ensino público e de 5.121 no ensino particular, somando os dois 6.654 formados. Fazendo-se uma projeção sobre os últimos cinco anos mais os próximos cinco e considerando-se uma taxa de crescimento mais ou menor uniforme, estima-se a diplomação de 66.540 estudantes em Comunicação nestes dez anos.

Tais números permitem a visão parcial da clientela potencial para os cursos de Pós-Graduação em Comunicação. Não se pode também deixar de considerar a clientela potencial que poderá advir, se concretizarmos a hipótese da interdisciplinaridade nos programas de Pós-Graduação, o que atrairia naturalmente graduados de outras áreas.

Para se avaliar os interesses dos graduados em Comunicação sugere-se a realização de pesquisa sobre a temática dos Projetos Experimentais de final de curso, em todo o país.

 

 

3. Qualificação do corpo docente dos cursos de Comunicação

 

Como parte importante da clientela potencial dos cursos de Pós-Graduação se encontra no magistério superior, é imprescindível uma avaliação da titulação dos docentes em exercício nos cursos de Comunicação. Os dados levantados permitem formar os quadros seguintes:

 

 

Titulação dos docentes das instituições públicas do Brasil:

.                               Em Comunicação ..........Em outras áreas

  No Brasil No exterior No Brasil

No exterior

Graduação 37,17%   3,41%  
Especialização 17,52% 1,28% 1,28%  
Mestrado 18,37% 0.42% 6,41%  
Doutorado 6,83% 3,41% 2,56%

1,28%

 

Os mestres representam 25,20% e os doutores 14,08% do corpo docente. Os docentes sem mestrado ou doutorado representam 60,72%.

 

Titulação dos docentes das instituições particulares do Brasil:

...........................Em Comunicação .................Em outras áreas

  No Brasil No exterior No Brasil No exterior
Graduação 29,43%   7,25%  
Especialização 29,83   6.04%  
Mestrado 16,12% 0.40% 6,45%  
Doutorado 2,41% 1,20% 0,80%  

 

Os mestres representam 22,97% 1 os doutores 4,41%, enquanto os docentes sem mestrado ou doutorado atingem 72,62%.

Titulação dos docentes das instituições públicas da região sudeste do Brasil:

................................Em Comunicação .................Em outras áreas

  No Brasil No exterior No Brasil

No exterior

Graduação 22,85%   8,57%  
Especialização 8,57% 1,42% 4,28%  
Mestrado 18,57%   11,42%  
Doutorado 8,50% 4,28% 8,57%

2,85%

 

Os mestres representam 29,99% e os doutores 23,70%, sendo os professores sem Mestrado ou doutorado 46,31%.

 

Titulação dos docentes das instituições particulares da região sudeste:

...............................Em Comunicação............ Em outras áreas

  No Brasil No exterior No Brasil No exterior
Graduação 35,92%      
Especialização 34,13%   4,19%  
Mestrado 17,36% 0,59% 2,39%  
Doutorado 2,99% 1,19% 0,59%  

 

Os mestres representam 20,34% e os doutores apenas 4,77%. São 74,89% os docentes sem mestrado ou doutorado.

Titulação dos docentes do Departamento de Comunicação da UFF:

................................Em Comunicação ...............Em outras áreas

  No Brasil No exterior No Brasil No exterior
Graduação 36,95%   6,52%  
Especialização 4,34% 2,17% 2,17%  
Mestrado 21,73%   6,52%  
Doutorado 8,69%   4,34% 4,34%
Outros 2,17%      

 

São 28,25% os mestres e 17,37% os doutores. Não têm mestrado ou doutorado 54,38% dos docentes.

 

Estes quadros mostram uma grande superioridade das instituições públicas sobre as particulares no que se refere à titulação de seus docentes e aos números do corpo discente. Tanto o corpo docente como o discente são relativamente privilegiados no ensino público. Com um índice de massificação muito maior no ensino particular, aprofunda-se a tendência degradante da qualidade da universidade brasileira.

Apenas 25,20% dos docentes do ensino público e 18,53% do ensino particular de graduação em Comunicação no Brasil possuem Mestrado ou Doutorado obtidos nos cursos de Pós-Graduação em Comunicação existentes no país. Do total de mestres e doutores lecionando nos cursos de graduação em Comunicação, 35,84% no ensino público e 32,32% no ensino particular são diplomados fora do Brasil ou então em outras áreas de estudo.

Tanto a massificação degradante da universidade brasileira quanto a carência de qualificação adequada da maioria dos docentes apontam na direção da necessidade premente da criação de novos e sérios programas de mestrado e doutorado, condição sem a qual a universidade não atingirá sua maioridade intelectual, científica e profissional.

É dedução inquestionável que a melhoria dos cursos de graduação depende de programas sérios de pós-graduação, tanto no plano nacional quanto na perspectiva individualizada de qualquer instituição de ensino superior. A emancipação da universidade brasileira pressupõe seu crescimento vertical ampliado, necessidade que a presente pesquisa torna evidente na área de Comunicação Social.

 

4. Cursos de Mestrado e/ou Doutorado em Comunicação no Brasil

 

O Conselho Federal de Educação (extinto no segundo semestre de 1994), órgão responsável pelo credenciamento dos cursos de Pós-Graduação, registrava, em maio desse ano, a existência de sete instituições do país, desenvolvendo programas na área de Comunicação: USP, UNICAMP, UFRJ, UNB, UFBA, PUC/SP, IMS. Segundo os dados do MEC, todas estas instituições desenvolvem programas de Mestrado, sendo que apenas três têm programas de Doutorado em Comunicação: PUC/SP, UFRJ e USP.

O CNPq registra o acréscimo de alguns outros cursos: Escola Paulista de Medicina ( Distúrbios da Comunicação Humana: Ms/Dr.), INPE (Eletrônica e Telecomunicações: Ms/Dr.) Gaspar Líbero (Teoria da Comunicação Social: Ms) e Mackenzie (Telecomunicações: Ms/Dr.).

Pode ainda acrescentar-se o curso de Mestrado em Administração e Comunicação Rural, ministrado pela UFRPE.

A partir do material que nos foi enviado pelas universidades, incluímos um novo curso: o Mestrado em Semiótica, ministrado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Não sabemos quantos ou quais programas novos podem existir, mesmo a curto prazo, uma vez que dezenas de novas universidades têm sido criadas nos últimos anos, podendo estas, baseadas no princípio da autonomia, criar novos cursos de graduação ou Pós-Graduação, que só mais tarde entram nos registros do MEC.

Também não temos dados suficientes para avaliar se a natureza mercantil que domina a maior parte das universidades brasileiras vai projetar-se nos cursos de Pós-Graduação com a mesma voracidade comercial que se tem materializado nos cursos de graduação. Nem sabemos se o desprezo e a ignorância crônicos pelo que aconteceu ou acontecerá ao produto que lançam no mercado, - o grau de aproveitamento, adequação ou sucesso dos graduados no mercado profissional, - sendo tão persistentes na universidade brasileira em relação à graduação, irão estender-se à Pós-Graduação.

 

Avaliação da Pós-Graduação: síntese de resultados, publicada pela CAPES em 1993, apresentava o seguinte quadro sobre os programas de Mestrado e Doutorado existentes na área de Comunicação:

 

Instit. Início 1981 1982 1983 84/86 86/87 88/89 90/91
  M D M D M D M D M D M D M D M D
IMS 78 B - A- - A - B- - B - B+ - B+ -
PUC/SP 70 78 B B B- B- B+ B+ A A A A A A A A
UFBA 90             SC
UFRJ 72 83 D - C - B - B+ A- A A A A A A
UNB 74 C - B - C+ - B - A - A - B+ -
UniCamp 86         B+ - A - B+ -
USP 72 80 B B A- A- A A A A A A A A A A

 

5. Áreas de concentração dos cursos de Pós-Graduação em Comunicação

 

A partir do artigo Pesquisa brasileira em comunicação: os desafios dos anos 90 de Margarida M. Krohling Kunsch, em Intercom, vol. XVI, n. 2, 1993, formamos o seguinte quadro:

 

Instit. Áreas de concentração
USP Comunicação; Jornalismo; Editoração; Rádio e TV; Relações Públicas; Propaganda
PUC/SP Semiótica.; Comunicação e Literatura; Artes e Letras; Tecnologia da Informação
IMS Teoria e Ensino da Comunicação; Comunicação Científica e Tecnológica
UNICAMP Ciência de Multimeios; Concepção e realização em Multimeios; Significação e Multimeios; Comunicação e Multimeios; Metodologia da pesquisa em Multimeios
UFBA Aspectos teóricos e aplicados de comunicação e cultura contemp
UNB Comunicação e cultura; Política da comunicação
UFRJ Teoria da comunicação e da cultura; Tecnologia da imagem; Informação, cultura e sociedade; História dos sistemas de pensamento; Conceitos temáticos e funções operativas nos processos de comunicação; Cultura e sociedade; Comunicação e simbolismo

 

Para se ter uma idéia da produção desses cursos, vejamos o quadro seguinte com o número de Dissertações e Teses defendidas em Comunicação, distribuído por décadas:

...............................Mestrado ..................................Doutorado

  1970 1980 90a jun/93 total 1980 90 a jun/93

total

USP 22 221 198 441 124 105

229

UFRJ 79 180 67 326 6

14

20

PUC/SP 15 51 74 140 17 12

29

UNB 19 27 25 71      
IMS   55 47 102      
UNICAMP     9 9      
UFBA              
Total 135 534 420 1089 147 131

278

Fonte: INTERCOM, vol. XVI, n. 2, 1993, pág. 56.

 

Sugere-se a realização de pesquisa sobre a temática dessas dissertações e teses, para poder fazer-se uma análise segura sobre a evolução e as tendências da Pós-Graduação em Comunicação no país.

Sugere-se também às universidades e ao MEC a formação de um banco nacional de dissertações e teses em sistema computerizado em rede com terminais de acesso em todas as universidades do país.

Sistema idêntico deveria aplicar-se aos Projetos Experimentais dos graduandos.

 

Observando-se o quadro da distribuição das áreas de concentração dos programas de Mestrado e Doutorado em Comunicação desenvolvidos no Brasil, constata-se o predomínio do campo teórico sobre o prático-profissional, tendente a privilegiar a qualificação para o magistério superior. Mesmo assim, o número de diplomados está muito longe de atender às necessidades acadêmicas de qualificação docente no país.

 

6. O CNPq e a pesquisa em Comunicação no Brasil

O patrocínio do CNPq à pesquisa em Comunicação mostra situação semelhante à dos quadros de Pós-Graduação. O CNPq financiava, em junho de 1994, 437 projetos na área de Comunicação, desenvolvidos em 16 universidades brasileiras, em várias faculdades e institutos, além das faculdades de Comunicação. Tais projetos vão desde a graduação até pós-doutorado e são divididos pelo CNPq em seis sub-áreas: comunicação, teoria da comunicação, comunicação visual, propaganda, jornalismo, rádio e TV.

Examinando o Programa Básico de Comunicação (Unidade: DCT/SHS/ /COCH, CÓDIGO: 1.56.00.00.9) do CNPq, elaboramos este quadro:

 

  Comunic Teoria da Comunic. Comunic. visual Propagand. Jornalism. Rád/TV

Total

PUC/RS 5 1        

6

UFCE 13          

13

USP 80 33   7 11 1

132

UFRJ 78 17        

95

PUC/SP 66 7        

73

PUC/SP 3 1       4

8

UNB 33 8     1 2

44

UFSM 2 3        

5

UFBA 15 1        

16

UNICAMP 2   10     1

13

IMS 15          

15

UFMG 5 1        

6

UFRGS 1 3        

4

UFPB 4          

4

UNESP 1          

1

UFF 2          

2

Total 325 72 13 7 12 8

437

Estes dados podem constituir-se em parâmetro importante para avaliação das tendências da pesquisa no Brasil e, indiretamente da Pós-Graduação, pela ligação de grande parte desses projetos com programas de mestrado ou doutorado. A maioria esmagadora do número de projetos na sub-área de comunicação manifesta uma certa indefinição básica e, ao mesmo tempo, uma interdisciplinaridade abrangente, tanto temática quanto organo-institucional.

Em segundo plano aparece Teoria da Comunicação, centralizando os aspectos teóricos que também são freqüentes nos projetos listados nas cinco demais sub-áreas. Os projetos voltados para áreas profissionais específicas são muito poucos. Esta minoria pode significar basicamente duas coisas: por um lado, a tradicional tendência teoricista do nosso modelo universitário e, por outro, a imaturidade do mercado extra-acadêmico que ainda não exige, em escala considerável, a Pós-Graduação como qualificação profissional indispensável.

 

 

Distribuição dos projetos de pesquisa em Comunicação financiados pelo CNPq, pelas regiões do Brasil (instituições onde são desenvolvidos):

 

  Comunic. Teoria C. C.Visual Propag. Jornal. Rád/TV Total
Norte              
Nordeste 7,32% 0,22%         7,55%
C.Oeste 7,55% 1,83%     0,22% 0.45% 10,06%
Sudeste 57,66% 13,50% 2,28% 1,60% 2,51% 1,37% 78,94%
Sul 1,83% 0,91% 0.68%       3,43%
Total 74,37% 16,47% 2,97% 1,60% 2,74% 1,83% 100%

Três fatores saltam à vista, neste quadro: duas sub-áreas de natureza predominantemente teórica representam 90,84% desses projetos; Brasília e região sudeste concentram 89,01%; o norte não desenvolve nenhum desses projetos, o mesmo acontecendo com o centro-oeste, se excluirmos Brasília.

 

Constata-se um certo paralelismo entre várias coordenadas: distribuição dos cursos de graduação, distribuição dos programas de Pós-Graduação, divisão das áreas de concentração desses programas, orientação temática da pesquisa e qualificação acadêmica dos professores de Comunicação

 

 

7. Professores do Departamento de Comunicação da UFF

Na sondagem feita entre os docentes de Departamento de Comunicação da UFF, pedia-se a cada professor que apontasse duas áreas importantes para criação de cursos de Mestrado. Resultou o seguinte quadro:

 

Informática e Comunicação: 50%

Política e Comunicação: 28,57%

Filosofia e Comunicação: 21,42%

Psicologia da Publicidade: 21,42%

Sociologia da Comunicação: 14,28%

Tecnologia Educacional e Comunicação: 14,28%

História da Comunicação, Psicologia da Comunicação, Comunicação Visual, Teoria da Comunicação, Imagem e Ciências Humanas: 7,14% cada

Indagados sobre o principal motivo para realizar um curso de Pós-Graduação, 71,42% dos professores apontaram uma melhor qualificação para o magistério; 14,28% acrescentaram a essa opção uma melhor preparação para outras atividades profissionais. Apenas 14,28% não apontaram o magistério como motivação básica, indicando motivos de natureza abrangente e teórica.

Como se pode observar, a opinião dominante dos professores aponta claramente para uma proposta interdisciplinar, com duas vertentes: uma ligando a Comunicação com a Informática e outra com as Ciências Humanas. Outro dado importante é a motivação voltada para o magistério.

 

 

8. Considerações para implantação de novos cursos de Mestrado ou Doutorado em Comunicação

 

1. Devem ser consideradas metas de curto, médio e longo prazo, na criação desses cursos, considerando-se que a educação é um processo dinâmico, podendo ou devendo ser reformulados os programas, de acordo com a evolução das ciências e as exigências da sociedade.

 

2. Uma melhor qualificação para o magistério superior deve ser a meta mais importante, a curto prazo.

 

3. A massificação dos cursos de graduação, com sua degradação qualitativa crescente, provocará naturalmente a expansão dos cursos de Pós-Graduação, tanto para compensar lacunas da graduação como para atender às necessidades do mercado de trabalho, com tendência natural de maior exigência de qualificação profissional.

 

4. As universidades devem empreender pesquisas sistemáticas constantes para avaliação das necessidades do mercado profissional nas diversas áreas.

 

5. Deve ser institucionalizada pelas universidades a pesquisa sistemática sobre o fluxo de seus ex-alunos no mercado profissional, como forma de promover a adequação de seus programas acadêmicos às necessidades da sociedade.

 

6. Na escolha das áreas de concentração dos novos cursos devem excluir-se as dos programas já existentes em outras instituições, principalmente as repetidas, para evitar sobreposições nas mesmas áreas, quando há muitas outras carentes.

 

7. A interdisciplinaridade é a alternativa mais recomendável, pelo menos a curto prazo. Tratando-se da tendência mais clara detectada pela pesquisa, inclui uma clientela mais ampla e facilita a implantação pela integração de projetos docentes de diversas áreas. Este fator é da maior relevância prática, devido ao reduzido número de docentes com doutorado.

 

8. Os novos cursos devem inserir-se no processo de integração interdisciplinar e transdisciplinar da Comunicação com as ciências humanas e/ou com a evolução tecnológica.

 

9. É indispensável a criação e manutenção de uma linha de produção editorial, integrada aos programas de ensino e pesquisa, como forma de levar ao meio acadêmico e à sociedade o conhecimento gerado dentro desses cursos.. A edição de revista especializada tem que ser encarada como parcela natural de qualquer programa de Pós-Graduação.

 

10. A universidade, como um todo, e seus Departamentos, individualmente, devem desenvolver programas de política acadêmica, voltados para a promoção da qualificação de seus docentes, em primeiro plano, e dos quadros da sociedade, numa visão mais abrangente. Todos os cursos de Pós-Graduação devem inserir-se neste contexto.

 

11. A concretização de uma Coordenação de Pós-Graduação é uma exigência administrativa para organização, promoção e manutenção dos cursos; também é um imperativo para a interdepartamentalização dos programas. O coordenador deve ser qualificado, pragmático e determinando a implantar e manter o funcionamento dos programas, enquanto a instituição deve promover as condições materiais e humanas para a sua viabilização.

 

12. No processo de implantação há um tempo para a pesquisa, outro para a discussão e outro para a decisão e escolha. A seguir, a concretização dos programas. As diversas etapas não devem ser misturadas, com protelações em labirintos discursivos que não levam a lugar algum.

 

13. Programas iniciais devem ser modestos; projetos mais avançados devem ser colocados a médio e longo prazo. Sugere-se um programa de Mestrado com duas ou três áreas de concentração. Programas de Doutorado devem ser implantados a médio prazo.

 

14. Uma universidade só atinge a maioridade pelo crescimento vertical da Pós-Graduação, da pesquisa e da produção científica, sendo os cursos de graduação os primeiros beneficiados pelo desenvolvimento da Pós-Graduação. Trata-se, portanto, de um processo que interessa a todos que fazem parte da universidade e não apenas àqueles que vão trabalhar ou estudar nesses programas. (2).


(1) Pesquisa realizada no segundo semestre de 1994, no período de Licença Sabática, em projeto aprovado pela UFF.

(2) Os dados levantados, em sua maioria, são referências temporais localizadas, impondo a necessidade de constante atualização.


Última atualização: 04/16/00 02:22:24


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