|
1. Preâmbulo
Pretende-se avaliar as condições do ensino dos cursos de Comunicação em
Pós-Graduação, existentes no Brasil, para fundamentar tecnicamente a possível
criação de programas de Mestrado e, a médio prazo, de Doutorado na UFF, levando-se em
conta os programas já existentes no país e , em especial, na região sudeste, bem como
as necessidades do mercado, principalmente no campo acadêmico.
Recebemos material valioso do CNPq, da Intercom, da Divisão de Organização do Ensino
Superior do MEC, da Fundação Mudes, da ACAFE e do CFE. A CAPES não respondeu ao nosso
pedido de informações, sendo-nos fornecidas algumas de suas publicações pelo CNPq.
Solicitamos informações diretamente, por via postal, às 85 instituições que
ministram cursos de Graduação em Comunicação, de acordo com os dados do MEC. Uma das
cartas foi devolvida, com indicação dos CTT de que a Faculdade não existia no endereço
registrado no MEC. Também verificamos que há cursos funcionando que não constam dos
catálogos do MEC; somente na cidade do Rio de Janeiro duas faculdades oferecem cursos de
Comunicação que não constam nesse catálogo. Das Faculdades consultadas, 18,82%
forneceram informações sobre seus cursos e seu corpo docente. As demais não responderam
ao nosso pedido. Das instituições catalogadas no MEC que ministram programas de Mestrado
ou Doutorado em Comunicação, nenhuma forneceu dados sobre seus cursos, evidenciando o
pouco apreço que a Direção dessas instituições tem pela pesquisa. Apenas uma
Universidade da região sul, desenvolvendo um curso de Mestrado em Semiótica, não
catalogado no MEC, enviou informações.
Para avaliação dos cursos de Graduação e da qualificação de seu corpo docente
servimo-nos dos dados enviados pelas faculdades e de publicações sobre o assunto, em
especial das entidades supracitadas, sendo essas a base para análise dos cursos de
Pós-Graduação.
2. Cursos de Graduação em Comunicação Social
Distribuição por regiões do Brasil e dependência administrativa:
| |
Partic |
Munic. |
Estad. |
Federal |
Total |
| Norte |
01 |
|
|
03 |
04 |
| Nordeste |
05 |
|
02 |
08 |
15 |
| Sudeste |
36 |
01 |
03 |
05 |
45 |
| Sul |
07 |
02 |
02 |
04 |
15 |
| C.-oeste |
02 |
|
|
04 |
06 |
| Total |
51 |
03 |
07 |
24 |
85 |
Fonte: Secretaria de Ensino Superior do MEC.
Dos 23 cursos do Estado de S. Paulo, catalogados no MEC, 11 funcionam na capital e dos
13 do Estado do Rio de Janeiro, 10 situam-se na capital. Os dois Estados respondem por
42,35% dos cursos de todo o país, enquanto a região sudeste mantém 52,94% dos cursos de
graduação.
Distribuição por habilitações e regiões do Brasil:
| |
Norte |
Nordeste |
C.oeste |
Sudeste |
Sul |
Total |
Cinema |
|
|
01 |
04 |
|
05 |
Publ/Prop. |
01 |
02 |
03 |
35 |
09 |
50 |
Jornalismo |
03 |
12 |
06 |
38 |
09 |
68 |
Rád/TV |
|
03 |
03 |
11 |
|
17 |
Rel.Públicas |
02 |
08 |
02 |
26 |
10 |
48 |
Total |
06 |
25 |
15 |
114 |
28 |
188 |
Fonte: Guia do Estudante, Ed. Abril, S. Paulo, 1994.
Como se pode observar, a região sudeste responde por 80% dos cursos de Cinema, 70% de
Publicidade e Propaganda, 55,88% de Jornalismo, 64,7% de Radialismo e TV, e 54,16% dos
cursos de Relações Públicas.
Corpo discente de graduação:
| |
I.Públicas |
I.Partic |
| Média de vagas por habilitação |
34,47 |
98.23 |
| Média total de alunos por habilitação |
160,95 |
226,94 |
| Média de graduados por habilitação, por ano |
18,04 |
40,17 |
| Total de alunos vezes o número de vagas |
4,66 |
2,31 |
| Número de graduados sobre as vagas |
52,33% |
40,89% |
| Proporção estimada das vagas |
18,96% |
81,04% |
Este quadro mostra que o desequilíbrio entre o número de cursos particulares e
públicos se torna muito maior quando se consideram as vagas existentes nas instituições
públicas e as que são oferecidas no ensino privado. Sugere-se pesquisa para desvendar as
questões subjacentes neste quadro que poderá ajudar a explicar as razões da
degradação do ensino no Brasil.

A mercantilização da educação brasileira tem dominado todo o "sistema" e
a Comunicação Social não é exceção, quando se observa o inchaço do ensino privado e
a crescente atrofia do ensino público.
Agravante desta situação é a proliferação de universidades particulares,
transformando a autonomia acadêmica em centro de fertilização mercantil.
A partir dos números fornecidos pelas faculdades que responderam à pesquisa, pode-se
estimar em cerca de 13.680 o total de alunos dos cursos públicos de Comunicação e em
28.934 os alunos dos cursos particulares, dando um total de 42.614 estudantes no país.
Com base na proporção entre o número de vagas e número de graduados no último ano,
estima-se um total de graduados de 1533 no ensino público e de 5.121 no ensino
particular, somando os dois 6.654 formados. Fazendo-se uma projeção sobre os últimos
cinco anos mais os próximos cinco e considerando-se uma taxa de crescimento mais ou menor
uniforme, estima-se a diplomação de 66.540 estudantes em Comunicação nestes dez anos.
Tais números permitem a visão parcial da clientela potencial para os cursos de
Pós-Graduação em Comunicação. Não se pode também deixar de considerar a clientela
potencial que poderá advir, se concretizarmos a hipótese da interdisciplinaridade nos
programas de Pós-Graduação, o que atrairia naturalmente graduados de outras áreas.
Para se avaliar os interesses dos graduados em Comunicação sugere-se a realização
de pesquisa sobre a temática dos Projetos Experimentais de final de curso, em todo o
país.
3. Qualificação do corpo docente dos cursos de Comunicação
Como parte importante da clientela potencial dos cursos de Pós-Graduação se encontra
no magistério superior, é imprescindível uma avaliação da titulação dos docentes em
exercício nos cursos de Comunicação. Os dados levantados permitem formar os quadros
seguintes:
Titulação dos docentes das instituições públicas do Brasil:
.
Em Comunicação ..........Em outras áreas
| |
No Brasil |
No exterior |
No Brasil |
No exterior |
| Graduação |
37,17% |
|
3,41% |
|
| Especialização |
17,52% |
1,28% |
1,28% |
|
| Mestrado |
18,37% |
0.42% |
6,41% |
|
| Doutorado |
6,83% |
3,41% |
2,56% |
1,28% |
Os mestres representam 25,20% e os doutores 14,08% do corpo docente. Os docentes sem
mestrado ou doutorado representam 60,72%.
Titulação dos docentes das instituições particulares do Brasil:
...........................Em
Comunicação .................Em outras áreas
| |
No Brasil |
No exterior |
No Brasil |
No exterior |
| Graduação |
29,43% |
|
7,25% |
|
| Especialização |
29,83 |
|
6.04% |
|
| Mestrado |
16,12% |
0.40% |
6,45% |
|
| Doutorado |
2,41% |
1,20% |
0,80% |
|
Os mestres representam 22,97% 1 os doutores 4,41%, enquanto os docentes sem mestrado ou
doutorado atingem 72,62%.

Titulação dos docentes das instituições públicas da região sudeste do Brasil:
................................Em
Comunicação .................Em outras áreas
| |
No Brasil |
No exterior |
No Brasil |
No exterior |
| Graduação |
22,85% |
|
8,57% |
|
| Especialização |
8,57% |
1,42% |
4,28% |
|
| Mestrado |
18,57% |
|
11,42% |
|
| Doutorado |
8,50% |
4,28% |
8,57% |
2,85% |
Os mestres representam 29,99% e os doutores 23,70%, sendo os professores sem Mestrado
ou doutorado 46,31%.
Titulação dos docentes das instituições particulares da região
sudeste:
...............................Em
Comunicação............ Em outras áreas
| |
No Brasil |
No exterior |
No Brasil |
No exterior |
| Graduação |
35,92% |
|
|
|
| Especialização |
34,13% |
|
4,19% |
|
| Mestrado |
17,36% |
0,59% |
2,39% |
|
| Doutorado |
2,99% |
1,19% |
0,59% |
|
Os mestres representam 20,34% e os doutores apenas 4,77%. São 74,89% os docentes sem
mestrado ou doutorado.
Titulação dos docentes do Departamento de Comunicação da UFF:
................................Em Comunicação ...............Em outras áreas
| |
No Brasil |
No exterior |
No Brasil |
No exterior |
| Graduação |
36,95% |
|
6,52% |
|
| Especialização |
4,34% |
2,17% |
2,17% |
|
| Mestrado |
21,73% |
|
6,52% |
|
| Doutorado |
8,69% |
|
4,34% |
4,34% |
| Outros |
2,17% |
|
|
|
São 28,25% os mestres e 17,37% os doutores. Não têm mestrado ou doutorado 54,38% dos
docentes.
Estes quadros mostram uma grande superioridade das instituições públicas sobre as
particulares no que se refere à titulação de seus docentes e aos números do corpo
discente. Tanto o corpo docente como o discente são relativamente privilegiados no ensino
público. Com um índice de massificação muito maior no ensino particular, aprofunda-se
a tendência degradante da qualidade da universidade brasileira.
Apenas 25,20% dos docentes do ensino público e 18,53% do ensino particular de
graduação em Comunicação no Brasil possuem Mestrado ou Doutorado obtidos nos cursos de
Pós-Graduação em Comunicação existentes no país. Do total de mestres e doutores
lecionando nos cursos de graduação em Comunicação, 35,84% no ensino público e 32,32%
no ensino particular são diplomados fora do Brasil ou então em outras áreas de estudo.
Tanto a massificação degradante da universidade brasileira quanto a carência de
qualificação adequada da maioria dos docentes apontam na direção da necessidade
premente da criação de novos e sérios programas de mestrado e doutorado, condição sem
a qual a universidade não atingirá sua maioridade intelectual, científica e
profissional.
É dedução inquestionável que a melhoria dos cursos de graduação depende de
programas sérios de pós-graduação, tanto no plano nacional quanto na perspectiva
individualizada de qualquer instituição de ensino superior. A emancipação da
universidade brasileira pressupõe seu crescimento vertical ampliado, necessidade que a
presente pesquisa torna evidente na área de Comunicação Social.
4. Cursos de Mestrado e/ou Doutorado em Comunicação no Brasil
O Conselho Federal de Educação (extinto no segundo semestre de 1994), órgão
responsável pelo credenciamento dos cursos de Pós-Graduação, registrava, em maio desse
ano, a existência de sete instituições do país, desenvolvendo programas na área de
Comunicação: USP, UNICAMP, UFRJ, UNB, UFBA, PUC/SP, IMS. Segundo os dados do MEC, todas
estas instituições desenvolvem programas de Mestrado, sendo que apenas três têm
programas de Doutorado em Comunicação: PUC/SP, UFRJ e USP.
O CNPq registra o acréscimo de alguns outros cursos: Escola Paulista de Medicina (
Distúrbios da Comunicação Humana: Ms/Dr.), INPE (Eletrônica e Telecomunicações:
Ms/Dr.) Gaspar Líbero (Teoria da Comunicação Social: Ms) e Mackenzie
(Telecomunicações: Ms/Dr.).
Pode ainda acrescentar-se o curso de Mestrado em Administração e Comunicação Rural,
ministrado pela UFRPE.
A partir do material que nos foi enviado pelas universidades, incluímos um novo curso:
o Mestrado em Semiótica, ministrado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.
Não sabemos quantos ou quais programas novos podem existir, mesmo a curto prazo, uma
vez que dezenas de novas universidades têm sido criadas nos últimos anos, podendo estas,
baseadas no princípio da autonomia, criar novos cursos de graduação ou
Pós-Graduação, que só mais tarde entram nos registros do MEC.
Também não temos dados suficientes para avaliar se a natureza mercantil que domina a
maior parte das universidades brasileiras vai projetar-se nos cursos de Pós-Graduação
com a mesma voracidade comercial que se tem materializado nos cursos de graduação. Nem
sabemos se o desprezo e a ignorância crônicos pelo que aconteceu ou acontecerá ao
produto que lançam no mercado, - o grau de aproveitamento, adequação ou sucesso dos
graduados no mercado profissional, - sendo tão persistentes na universidade brasileira em
relação à graduação, irão estender-se à Pós-Graduação.
Avaliação da Pós-Graduação: síntese de resultados, publicada pela
CAPES em 1993, apresentava o seguinte quadro sobre os programas de Mestrado e Doutorado
existentes na área de Comunicação:
| Instit. |
Início |
1981 |
1982 |
1983 |
84/86 |
86/87 |
88/89 |
90/91 |
| |
M D |
M D |
M D |
M D |
M D |
M D |
M D |
M D |
| IMS |
78 |
B - |
A- - |
A - |
B- - |
B - |
B+ - |
B+ - |
| PUC/SP |
70 78 |
B B |
B- B- |
B+ B+ |
A A |
A A |
A A |
A A |
| UFBA |
90 |
|
|
|
|
|
|
SC |
| UFRJ |
72 83 |
D - |
C - |
B - |
B+ A- |
A A |
A A |
A A |
| UNB |
74 |
C - |
B - |
C+ - |
B - |
A - |
A - |
B+ - |
| UniCamp |
86 |
|
|
|
|
B+ - |
A - |
B+ - |
| USP |
72 80 |
B B |
A- A- |
A A |
A A |
A A |
A A |
A A |
5. Áreas de concentração dos cursos de Pós-Graduação em
Comunicação
A partir do artigo Pesquisa brasileira em comunicação: os desafios dos anos
90 de Margarida M. Krohling Kunsch, em Intercom, vol. XVI, n. 2, 1993, formamos o
seguinte quadro:
| Instit. |
Áreas de concentração |
| USP |
Comunicação; Jornalismo; Editoração; Rádio e TV;
Relações Públicas; Propaganda |
| PUC/SP |
Semiótica.; Comunicação e Literatura; Artes e Letras;
Tecnologia da Informação |
| IMS |
Teoria e Ensino da Comunicação; Comunicação Científica e
Tecnológica |
| UNICAMP |
Ciência de Multimeios; Concepção e realização em
Multimeios; Significação e Multimeios; Comunicação e Multimeios; Metodologia da
pesquisa em Multimeios |
| UFBA |
Aspectos teóricos e aplicados de comunicação e cultura
contemp |
| UNB |
Comunicação e cultura; Política da comunicação |
| UFRJ |
Teoria da comunicação e da cultura; Tecnologia da imagem;
Informação, cultura e sociedade; História dos sistemas de pensamento; Conceitos
temáticos e funções operativas nos processos de comunicação; Cultura e sociedade;
Comunicação e simbolismo |
Para se ter uma idéia da produção desses cursos, vejamos o quadro seguinte com o
número de Dissertações e Teses defendidas em Comunicação, distribuído por décadas:

...............................Mestrado ..................................Doutorado
| |
1970 |
1980 |
90a jun/93 |
total |
1980 |
90 a jun/93 |
total |
| USP |
22 |
221 |
198 |
441 |
124 |
105 |
229 |
| UFRJ |
79 |
180 |
67 |
326 |
6 |
14 |
20 |
| PUC/SP |
15 |
51 |
74 |
140 |
17 |
12 |
29 |
| UNB |
19 |
27 |
25 |
71 |
|
|
|
| IMS |
|
55 |
47 |
102 |
|
|
|
| UNICAMP |
|
|
9 |
9 |
|
|
|
| UFBA |
|
|
|
|
|
|
|
| Total |
135 |
534 |
420 |
1089 |
147 |
131 |
278 |

Fonte: INTERCOM, vol. XVI, n. 2, 1993, pág. 56.
Sugere-se a realização de pesquisa sobre a temática dessas dissertações e teses,
para poder fazer-se uma análise segura sobre a evolução e as tendências da
Pós-Graduação em Comunicação no país.
Sugere-se também às universidades e ao MEC a formação de um banco nacional de
dissertações e teses em sistema computerizado em rede com terminais de acesso em todas
as universidades do país.
Sistema idêntico deveria aplicar-se aos Projetos Experimentais dos graduandos.
Observando-se o quadro da distribuição das áreas de concentração dos programas de
Mestrado e Doutorado em Comunicação desenvolvidos no Brasil, constata-se o predomínio
do campo teórico sobre o prático-profissional, tendente a privilegiar a qualificação
para o magistério superior. Mesmo assim, o número de diplomados está muito longe de
atender às necessidades acadêmicas de qualificação docente no país.
6. O CNPq e a pesquisa em Comunicação no Brasil
O patrocínio do CNPq à pesquisa em Comunicação mostra situação semelhante à dos
quadros de Pós-Graduação. O CNPq financiava, em junho de 1994, 437 projetos na área de
Comunicação, desenvolvidos em 16 universidades brasileiras, em várias faculdades e
institutos, além das faculdades de Comunicação. Tais projetos vão desde a graduação
até pós-doutorado e são divididos pelo CNPq em seis sub-áreas: comunicação, teoria
da comunicação, comunicação visual, propaganda, jornalismo, rádio e TV.

Examinando o Programa Básico de Comunicação (Unidade: DCT/SHS/ /COCH, CÓDIGO:
1.56.00.00.9) do CNPq, elaboramos este quadro:
| |
Comunic |
Teoria da Comunic. |
Comunic. visual |
Propagand. |
Jornalism. |
Rád/TV |
Total |
| PUC/RS |
5 |
1 |
|
|
|
|
6 |
| UFCE |
13 |
|
|
|
|
|
13 |
| USP |
80 |
33 |
|
7 |
11 |
1 |
132 |
| UFRJ |
78 |
17 |
|
|
|
|
95 |
| PUC/SP |
66 |
7 |
|
|
|
|
73 |
| PUC/SP |
3 |
1 |
|
|
|
4 |
8 |
| UNB |
33 |
8 |
|
|
1 |
2 |
44 |
| UFSM |
2 |
3 |
|
|
|
|
5 |
| UFBA |
15 |
1 |
|
|
|
|
16 |
| UNICAMP |
2 |
|
10 |
|
|
1 |
13 |
| IMS |
15 |
|
|
|
|
|
15 |
| UFMG |
5 |
1 |
|
|
|
|
6 |
| UFRGS |
1 |
3 |
|
|
|
|
4 |
| UFPB |
4 |
|
|
|
|
|
4 |
| UNESP |
1 |
|
|
|
|
|
1 |
| UFF |
2 |
|
|
|
|
|
2 |
| Total |
325 |
72 |
13 |
7 |
12 |
8 |
437 |
Estes dados podem constituir-se em parâmetro importante para avaliação das
tendências da pesquisa no Brasil e, indiretamente da Pós-Graduação, pela ligação de
grande parte desses projetos com programas de mestrado ou doutorado. A maioria esmagadora
do número de projetos na sub-área de comunicação manifesta uma certa indefinição
básica e, ao mesmo tempo, uma interdisciplinaridade abrangente, tanto temática quanto
organo-institucional.
Em segundo plano aparece Teoria da Comunicação, centralizando os aspectos teóricos
que também são freqüentes nos projetos listados nas cinco demais sub-áreas. Os
projetos voltados para áreas profissionais específicas são muito poucos. Esta minoria
pode significar basicamente duas coisas: por um lado, a tradicional tendência teoricista
do nosso modelo universitário e, por outro, a imaturidade do mercado extra-acadêmico que
ainda não exige, em escala considerável, a Pós-Graduação como qualificação
profissional indispensável.
Distribuição dos projetos de pesquisa em Comunicação financiados pelo CNPq,
pelas regiões do Brasil (instituições onde são desenvolvidos):

| |
Comunic. |
Teoria C. |
C.Visual |
Propag. |
Jornal. |
Rád/TV |
Total |
| Norte |
|
|
|
|
|
|
|
| Nordeste |
7,32% |
0,22% |
|
|
|
|
7,55% |
| C.Oeste |
7,55% |
1,83% |
|
|
0,22% |
0.45% |
10,06% |
| Sudeste |
57,66% |
13,50% |
2,28% |
1,60% |
2,51% |
1,37% |
78,94% |
| Sul |
1,83% |
0,91% |
0.68% |
|
|
|
3,43% |
| Total |
74,37% |
16,47% |
2,97% |
1,60% |
2,74% |
1,83% |
100% |

Três fatores saltam à vista, neste quadro: duas sub-áreas de natureza
predominantemente teórica representam 90,84% desses projetos; Brasília e região sudeste
concentram 89,01%; o norte não desenvolve nenhum desses projetos, o mesmo acontecendo com
o centro-oeste, se excluirmos Brasília.
Constata-se um certo paralelismo entre várias coordenadas: distribuição dos
cursos de graduação, distribuição dos programas de Pós-Graduação,
divisão das áreas de concentração desses programas, orientação temática
da pesquisa e qualificação acadêmica dos professores de Comunicação
7. Professores do Departamento de Comunicação da UFF
Na sondagem feita entre os docentes de Departamento de Comunicação da UFF, pedia-se a
cada professor que apontasse duas áreas importantes para criação de cursos de Mestrado.
Resultou o seguinte quadro:
Informática e Comunicação: 50%
Política e Comunicação: 28,57%
Filosofia e Comunicação: 21,42%
Psicologia da Publicidade: 21,42%
Sociologia da Comunicação: 14,28%
Tecnologia Educacional e Comunicação: 14,28%
História da Comunicação, Psicologia da Comunicação, Comunicação
Visual, Teoria da Comunicação, Imagem e Ciências Humanas: 7,14% cada

Indagados sobre o principal motivo para realizar um curso de Pós-Graduação, 71,42%
dos professores apontaram uma melhor qualificação para o magistério; 14,28%
acrescentaram a essa opção uma melhor preparação para outras atividades profissionais.
Apenas 14,28% não apontaram o magistério como motivação básica, indicando motivos de
natureza abrangente e teórica.
Como se pode observar, a opinião dominante dos professores aponta claramente para uma proposta
interdisciplinar, com duas vertentes: uma ligando a Comunicação com a
Informática e outra com as Ciências Humanas. Outro dado importante é a
motivação voltada para o magistério.
8. Considerações para implantação de novos cursos de Mestrado ou
Doutorado em Comunicação
1. Devem ser consideradas metas de curto, médio e longo prazo, na
criação desses cursos, considerando-se que a educação é um processo dinâmico,
podendo ou devendo ser reformulados os programas, de acordo com a evolução das ciências
e as exigências da sociedade.
2. Uma melhor qualificação para o magistério superior deve ser a
meta mais importante, a curto prazo.
3. A massificação dos cursos de graduação, com sua degradação
qualitativa crescente, provocará naturalmente a expansão dos cursos de Pós-Graduação,
tanto para compensar lacunas da graduação como para atender às necessidades do mercado
de trabalho, com tendência natural de maior exigência de qualificação profissional.
4. As universidades devem empreender pesquisas sistemáticas
constantes para avaliação das necessidades do mercado profissional nas diversas áreas.
5. Deve ser institucionalizada pelas universidades a pesquisa
sistemática sobre o fluxo de seus ex-alunos no mercado profissional, como forma de
promover a adequação de seus programas acadêmicos às necessidades da sociedade.
6. Na escolha das áreas de concentração dos novos cursos devem
excluir-se as dos programas já existentes em outras instituições, principalmente as
repetidas, para evitar sobreposições nas mesmas áreas, quando há muitas outras
carentes.
7. A interdisciplinaridade é a alternativa mais recomendável, pelo
menos a curto prazo. Tratando-se da tendência mais clara detectada pela pesquisa, inclui
uma clientela mais ampla e facilita a implantação pela integração de projetos docentes
de diversas áreas. Este fator é da maior relevância prática, devido ao reduzido
número de docentes com doutorado.
8. Os novos cursos devem inserir-se no processo de integração
interdisciplinar e transdisciplinar da Comunicação com as ciências humanas e/ou com a
evolução tecnológica.
9. É indispensável a criação e manutenção de uma linha de
produção editorial, integrada aos programas de ensino e pesquisa, como forma de levar ao
meio acadêmico e à sociedade o conhecimento gerado dentro desses cursos.. A edição de
revista especializada tem que ser encarada como parcela natural de qualquer programa de
Pós-Graduação.
10. A universidade, como um todo, e seus Departamentos,
individualmente, devem desenvolver programas de política acadêmica, voltados para a
promoção da qualificação de seus docentes, em primeiro plano, e dos quadros da
sociedade, numa visão mais abrangente. Todos os cursos de Pós-Graduação devem
inserir-se neste contexto.
11. A concretização de uma Coordenação de Pós-Graduação é
uma exigência administrativa para organização, promoção e manutenção dos cursos;
também é um imperativo para a interdepartamentalização dos programas. O coordenador
deve ser qualificado, pragmático e determinando a implantar e manter o funcionamento dos
programas, enquanto a instituição deve promover as condições materiais e humanas para
a sua viabilização.
12. No processo de implantação há um tempo para a pesquisa, outro
para a discussão e outro para a decisão e escolha. A seguir, a concretização dos
programas. As diversas etapas não devem ser misturadas, com protelações em labirintos
discursivos que não levam a lugar algum.
13. Programas iniciais devem ser modestos; projetos mais avançados
devem ser colocados a médio e longo prazo. Sugere-se um programa de Mestrado com duas ou
três áreas de concentração. Programas de Doutorado devem ser implantados a médio
prazo.
14. Uma universidade só atinge a maioridade pelo crescimento
vertical da Pós-Graduação, da pesquisa e da produção científica, sendo os cursos de
graduação os primeiros beneficiados pelo desenvolvimento da Pós-Graduação. Trata-se,
portanto, de um processo que interessa a todos que fazem parte da universidade e não
apenas àqueles que vão trabalhar ou estudar nesses programas. (2).
(1) Pesquisa realizada no segundo semestre de 1994, no
período de Licença Sabática, em projeto aprovado pela UFF.
(2) Os dados levantados, em sua maioria, são
referências temporais localizadas, impondo a necessidade de constante atualização.
Última atualização: 04/16/00 02:22:24
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