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Dilemas e tendências dos cursos de Comunicação Delfim Soares |
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| . | . | . | Resumo: Esta análise de pesquisa aborda os principais dilemas e tendências da universidade brasileira, centrados nos cursos de Comunicação. Confronta o modelo teoricista prevalente com a necessidade da integração tecnológica, bem como a alienação acadêmica diante das mudanças da sociedade tecnológica. Compara a decadência do sistema educacional com a exigência da autonomia universitária baseada na pesquisa e no crescimento vertical, em programas sérios de pós-graduação. Questiona-se a massificação da universidade e conseqüente degradação qualitativa bem como a desqualificação docente; a histeria privatizante do ensino e eliminação decorrente da pesquisa; a sucatização do sistema educacional e perpetuação da universidade colonial. Compara-se o modelo mercantilista predominante em nosso ensino superior com o desprezo generalizado com a pesquisa e, principalmente a pesquisa de mercado, relativa à integração da universidade na sociedade. Diante da massificação, da degradação mercantil, da expansão privatizante e da compressão do ensino público, aponta-se a necessidade da reversão da proporção entre ensino particular e universidade pública, fomentando a pesquisa como condição para a emancipação científica e tecnológica; manifesta-se a exigência de programas de pós-graduação em comunicação direcionados para a investigação científica e a integração tecnológica, estancando-se o processo de massificação.
O presente estudo é o resultado da análise dos dados de pesquisa realizada pelo autor, em projeto aprovado pela UFF, sujeitando-os a um enquadramento crítico do sistema educacional, numa perspectiva sociopedagógica que ultrapassa os aspectos imediatistas, situando os cursos de Comunicação no contexto da Universidade brasileira e esta no âmbito da sociedade. Em linhas gerais, esta abordagem, não pode deixar de considerar a condição colonial atual da sociedade brasileira que, disfarçada ou acintosamente, procura adiar a emancipação intelectual, científica e técnica de sua universidade. Não se pode esquecer também a ambigüidade resultante da herança cultural do sistema francês misturada com a influência do sistema americano, no ensino brasileiro. Com muita freqüência, contradições intrínsecas e extrínsecas se manifestam na educação brasileira e os cursos de Comunicação não escapam a esse quadro.
Teoricismo ou tecnologia
O modelo institucional de educação é tradicional e sistematicamente conservador. Tal característica é sociologicamente explicada e situa-se fundamentalmente na instrumentalização estrutural das instituições a serviço dos grupos de poder. A inserção do sistema educacional e, em especial, da academia, nessa estrutura costuma determinar atitudes e procedimentos que mais visam a perpetuação do passado do que a dinâmica voltada para o futuro. A academia é uma instituição que, devido a tal inserção estrutural, costuma oscilar entre o progressismo gerado pelo avanço da pesquisa e a estagnação oriunda de suas origens clericais. Por outro lado, a ideologia burguesa costuma confrontar-se, no meio acadêmico, com um dilema: a permanência cultural estabilizadora e a instabilidade determinada pela necessidade do progresso tecnológico a serviço do modelo capitalista. A tradição acadêmica, por razões que remontam à Idade Média, tem privilegiado as áreas teóricas, de predominância especulativa e filosófica, alimentando depreciação crônica das ciências e da tecnologia. A aversão clerical da universidade medieval pelas ciências experimentais, deixou uma herança mal disfarçada no meio acadêmico. O desenvolvimento tecnológico imposto pela revolução industrial teve dificuldade em entrar nesse meio, apesar de sua importância econômica. Nalgumas sociedades, originou até uma universidade técnica paralela e meio desligada da academia tradicional. São inúmeras as manifestações de prevalência de uma perspectiva humanista em detrimento da tecnicização do sistema educacional. Tal prevalência, tocando freqüentemente as raias da esclerose cultural, tem emperrado a evolução dos processos pedagógicos, das estruturas curriculares, da evolução intelectual e científica e da adequação às exigências da sociedade. Embora a tecnologia seja uma realidade cada vez mais abrangente e envolvente, os modelos educacionais costumam manifestar apatia e aversão pela assimilação de processos e recursos tecnológicos que outras áreas da organização social já transformaram em rotina. Tal atitude se deve a variados fatores: desinteresse pela eficiência, inconsciência da obsolência, aversão à mudança, miopia humanista etc.. A informatização se vende em supermercados mas custa a entrar na academia; a comunicação global domina os meios de massa, mas a academia finge ignorá-la; as redes de comunicação cibernética dominam o mundo, mas a academia ainda prefere o museu do livro... Um bom termômetro para se avaliar quadros e tendências da Comunicação é constituído pelo Programa básico de Comunicação do CNPq. Em junho de 1994, agrupava 325 projetos em Comunicação, 72 em teoria da Comunicação, 13 em Comunicação Visual, 7 em Propaganda, 12 em Jornalismo e 8 em Rádio e TV, num total de 437. Estes dados podem constituir-se em parâmetro importante para avaliação das tendências da pesquisa no Brasil e, indiretamente da pós-graduação, pela ligação de grande parte desses projetos com programas de mestrado ou doutorado. A maioria esmagadora do número de projetos na sub-área de comunicação manifesta uma certa indefinição básica e, ao mesmo tempo, uma interdisciplinaridade abrangente, tanto temática quanto organo-institucional. Em segundo plano aparece Teoria da Comunicação, centralizando os aspectos teóricos que também são freqüentes nos projetos listados nas cinco demais sub-áreas. Os projetos voltados para áreas profissionais específicas são muito poucos. Esta minoria pode significar basicamente duas coisas: por um lado, a tradicional tendência teoricista do nosso modelo universitário e, por outro, a imaturidade do mercado extra-acadêmico que ainda não exige, em escala considerável, a pós-graduação como qualificação profissional indispensável. Os quadros dos cursos de Comunicação do país mostram, no campo da pós-graduação, a predominância de áreas teóricas, ligadas principalmente às Ciências Humanas. Tal situação se deve principalmente ao fato de haver uma tradição humanista dominante na universidade brasileira. Os quadros mais qualificados que atuam na pós-graduação de Comunicação costumam originar-se, direta ou indiretamente, com marcada predominância, da área de Ciências Humanas. Combina-se, assim, a natureza conservadora do sistema com as limitações impostas pela qualificação docente. Alia-se também a precariedade de investimento em tecnologia ao descaso crônico com que costuma ser tratada a educação. É claro que não podemos desconsiderar a importância da contribuição das ciências humanas para o desenvolvimento dos estudos em Comunicação. Por outro lado, também não podemos deixar de lamentar a ampla marginalização tecnológica em que se encontram tantos programas de ensino de Comunicação. A rigor, em muitos setores do ensino, vive-se uma verdadeira alienação: lá fora, o progresso tecnológico domina todas as áreas da atividade humana, principalmente o campo da Comunicação, enquanto a universidade parece brincar de academia medieval. É evidente a urgência da necessidade de um redirecionamento dos cursos de graduação em Comunicação e, principalmente, dos programas de pós-graduação para o ensino e a pesquisa centrados na integração com a tecnologia. Assim se preencheria uma grave lacuna da universidade brasileira, diminuindo o distanciamento da academia com a realidade atual, reformulando a visão predominante voltada para o passado, num processo de abertura para a evolução tecnológica. Costuma a educação andar a reboque da realidade social; é preciso reprogramar esse modelo. Mesmo que o sistema educacional não consiga preceder a realidade, como se propõe, deve, pelo menos, criar as condições que eliminem a defasagem crônica entre os processos pedagógicos e a realidade. Já será tardia esta iniciativa. Atrasada mas imprescindível para desalienar um sistema de ensino, em uma área que é muito sensível ao avanço tecnológico, como é o caso da Comunicação Social. Os sistemas de comunicação estão informatizados; as novas tecnologias universalizam-se; as redes de comunicação formam o sistema nervoso da nova sociedade... O estudo e a pesquisa voltados para tais inovações não serão certamente uma ginástica intelectual ou simples exercício elucubratório. Deverão ser, sim, uma contribuição para a integração da ciência, da comunicação e da tecnologia. Deverão também constituir-se num elo mais forte entre a educação e a realidade.
Autonomia acadêmica ou alienação
Desde suas origens medievais, a universidade luta para manter uma prerrogativa que lhe garanta a liberdade de ensino, organização e estruturação. Papas e monarcas garantiam a manutenção da universidade, deixando à academia a responsabilidade de sua gerência autônoma. Muitas coisas mudaram desde a Idade Média. A universidade brasileira atual, incluindo naturalmente os cursos de Comunicação, carrega as marcas da herança ditatorial, da dependência neocolonial, da degradação programada. De imitação do sistema francês, estatizante e culturalista, passou à reprodução caricatural do modelo americano. Em ambos os casos, não se atingiu a maioridade. Em tais circunstâncias não parece adequado falar-se em autonomia. A ambigüidade estrutural crônica de nosso modelo educacional balança entre a pregação da educação como investimento e a tradição da educação como serviço social. As contradições entre as funções latentes e as atribuições manifestas da nossa universidade são freqüentes. A pregação econômica do investimento individual na educação culmina na geração de multidões de diplomados desempregados ou sub-empregados. A lógica capitalista desmascarada desaba na contradição do investimento-prejuízo. A ideologia liberal da mobilidade social pela educação resultou na anulação da instrução como dimensão da estratificação social. Em outras palavras, a educação e, especialmente, a universidade foi colocada entre parênteses. E, para que o fracasso funcional manifesto fosse justificado, a universidade foi sistematicamente degradada. A reforma universitária de 1968 deu uma contribuição decisiva para esse processo. A reforma da lei 5692 foi o começo do funeral da educação pré-universitária. Nem precisava mais fazer campanha contra os cursos de Comunicação. A ingerência econômico-política no nosso sistema educacional decretava a degradação total do ensino brasileiro. Escolas de primeiro e segundo grau transformaram-se em restaurantes para menores carentes; professores degradados com migalhas de salário. Onde não há ensino primário e secundário não há universidade. Ou melhor, a universidade transforma-se num Ginásio de marmanjos. O abandono da educação pelo Estado alia-se à voracidade mercantil da iniciativa privada. As faculdades surgem como quitandas. Algumas são balcões de diplomas. Transformam-se em universidades. A autonomia universitária se confunde com livre iniciativa mercantil. O sistema patrocina um estelionato acadêmico em escala nacional. Abrem-se cursos novos sem pesquisa de mercado. Aliás, nossa universidade costuma ignorar as necessidades dos quadros sociais: quando muito, imagina tais quadros. A universidade mercantil preocupa-se muito em vender seu produto; mas nem quer saber de sua absorção pelo mercado, numa típica distorção do modelo capitalista em que se fundamenta a privatização da educação. Nem o MEC sabe quantos cursos de Comunicação existem no país. O Catálogo da instituição de 1994 incluía 85 instituições com cursos de Graduação em Comunicação. Existia até uma Faculdade que não foi encontrada no endereço registrado no MEC. Do jeito que as coisas vão, nem Deus sabe quantos cursos existem e, muito menos, quantos estudantes. São seguramente mais de cem cursos. Uma nova modalidade surgiu: à imitação das redes de lojas e supermercados, as faculdades de comunicação estão abrindo filiais em outros bairros ou cidades. Somente no Rio de Janeiro, mais oito cursos de Comunicação surgiram nestes dois anos, por este processo de fertilização comercial. Este fenômeno contribuirá para o aprofundamento da degradação qualitativa do ensino, caminhando para a aniquilação da qualidade. Enquanto isso, o MEC registrava, no mesmo ano, apenas 7 programas de Pós-graduação em Comunicação, em todo o país, em nível de Mestrado e/ou Doutorado. Esta desproporção, por si só, já seria suficiente para explicar a degradação intrínseca do sistema universitário. Alguns novos programas estão surgindo, mas em quantidade e qualidade insuficientes para enfrentar a proliferação dos cursos de graduação. Qualificação ou massificação
Sofre de ingenuidade sociológica quem imagina a educação superior formal como determinante efetivo de sucesso profissional ou elevação de status social. A massificação de nossa universidade tem-se apoiado nessa ilusão da classe média e da classe baixa. A escolaridade expandida, usada como ilusão de abertura social, confundiu propositalmente democratização com vulgarização do ensino. Na realidade, o ensino universitário deixou de ser superior, quer no plano técnico-científico, quer como privilégio social. Tal mudança anularia a principal motivação da procura estudantil, mas o sistema promove permanentemente um estado de alienação que lhe garante sobrevivência por tempo indefinido. Quando examinamos os quadros docentes dos cursos de Comunicação do Brasil, verificamos a existência de cerca de 61% de professores sem Mestrado ou Doutorado, nas universidades públicas e cerca de 73% nas universidades particulares. Tecnicamente, mais de dois terços do corpo docente não tem qualificação adequada. Deve considerar-se ainda o fato um percentual razoável dos mestres e doutores (mais de metade) serem diplomados em outras áreas do ensino ou fora do país. Estes números manifestam a perpetuação da condição colonial de nossa universidade, mantida em programada menoridade. Ao mesmo tempo, ilustram o pouco investimento interno no crescimento vertical do ensino superior, no desenvolvimento da pesquisa e da pós-graduação. A massificação da graduação, num inchaço gigantesco, combinando voracidade mercantil dos comerciantes da educação com a alienação social de nossa juventude, poderia ter determinado o crescimento da pós-graduação. Mas isso não aconteceu, pelo menos, com a rapidez necessária. Por um lado, temos o descaso do Estado com a qualidade da educação e, por outro, um certo desinteresse do comércio educacional, por ser difícil massificar e, portanto, explorar mercantilmente a pós-graduação. A partir dos números fornecidos pelas faculdades que responderam à pesquisa, pode-se estimar em cerca de 13.680 o total de alunos dos cursos públicos de Comunicação e em 28.934 os alunos dos cursos particulares, dando um total de 42.614 estudantes no país. Com base na proporção entre o número de vagas e número de graduados no último ano, estima-se um total de graduados de 1533 no ensino público e de 5.121 no ensino particular, somando os dois 6.654 formados. Fazendo-se uma projeção sobre os últimos cinco anos mais os próximos cinco e considerando-se uma taxa de crescimento mais ou menos uniforme, estima-se a diplomação de 66.540 estudantes em Comunicação nestes dez anos. O mais grave é que quase nada se faz para saber o que acontece com eles no mercado. O sistema educacional não se preocupa em ajustar a formação acadêmica às exigências ou às necessidades dos quadros sociais. Não devemos, no entanto, desconsiderar a hipótese da exploração massificada. Já temos algumas tentativas sintomáticas. A solidificar-se tal perspectiva, o grande Ginásio de adultos juntará a pós-graduação à graduação. Teremos então o pós-doutorado como pós-graduação. A política da degradação intelectual se choca permanentemente com a necessidade econômica do aperfeiçoamento técnico; mesmo a contragosto dos grupos privilegiados, é forçoso estimular um certo crescimento vertical da universidade.
Pós-Graduação, pesquisa e emancipação
Tanto a massificação degradante da graduação quanto a carência de qualificação adequada da maioria dos docentes apontam na direção da necessidade premente da criação de novos e sérios programas de mestrado e doutorado, condição sem a qual a universidade não atingirá sua maioridade intelectual, científica e profissional. É dedução inquestionável que a melhoria dos cursos de graduação depende de programas sérios de pós-graduação, tanto no plano nacional quanto na perspectiva individualizada de qualquer instituição de ensino superior. A emancipação da universidade brasileira tem um longo caminho a percorrer. No campo da pesquisa, a universidade brasileira, dominada pelas instituições privadas, perpetua sua dependência tecno-científica. Tais instituições, com honrosas exceções, principalmente algumas de manutenção confessional, não investem praticamente nada em pesquisa; limitam-se a vender um ensino de qualidade duvidosa. Efetivamente, é pretensão descabida admitir um ensino de boa qualidade que não seja fundamentado na pesquisa e com ela mantenha uma permanente simbiose. Recentemente a Federação Latino-Americana das Escolas de Comunicação Social empreendeu projeto de pesquisa em que foi solicitada a participação de todas as faculdades atuantes na área. Visava conhecer melhor o fluxo dos profissionais por elas diplomados no mercado de trabalho, definindo adequadamente seu perfil. Muitas faculdades se negaram a participar da pesquisa. Duas razões básicas foram detectadas: simplesmente não investem nada em pesquisa e preferem nem saber o que acontece com os profissionais que lançam no mercado. Ou talvez tenham medo que o público descubra seu fracasso. A título de ilustração, de mais de uma dezena de faculdades particulares de comunicação, apenas uma aceitou participar desse projeto. O Programa Básico de Comunicação (Unidade: DCT/SHS/COCH, Código: 1.56.00.00.9) do CNPq, em junho de 1994, listava 437 projetos financiados. As universidades públicas desenvolviam 335 e as confessionais 102 projetos; as demais particulares, nenhum. Estes dados mostram a gravidade da degradação de uma universidade que abdica de uma de suas funções essenciais: a produção do saber. Existe no ar uma perspectiva apavorante: a histeria privatizante neo-liberal que paira sobre a já comprimida universidade pública, responsável por cerca de 20% do terceiro grau e por cerca de 90% das pesquisas realizadas no Brasil. No citado programa do CNPq, na área de Comunicação, a Universidade pública realiza cerca de 77% dos projetos. Uma universidade que se restringe ao ensino, quando muito, reproduz o saber. A pesquisa, como processo de produção ou geração de conhecimento é condição indispensável para se alcançar a emancipação de nossa universidade. Por outro lado, nosso modelo universitário já consolidou uma relação natural entre pesquisa e pós-graduação, geminando as duas no processo de crescimento vertical da universidade. Trata-se, portanto, de um dualismo imprescindível para a manutenção de uma educação realmente superior. O futuro parece sombrio, quando observamos a compressão da universidade pública, a explosão mercantil dos ginásios de terceiro grau e, principalmente, a apologia da panacéia privatizante. No campo da Comunicação, a emancipação passa pelos problemas gerais de nossa universidade e por outros específicos. Entre estes últimos, podemos apontar a necessidade de se estabelecer uma proporção adequada entre os cursos de graduação e os programas de pós-graduação. Os programas de Mestrado e Doutorado devem prover os quadros acadêmicos e as necessidades da sociedade, atingindo gradualmente uma maior autonomia tecno-científica em relação às áreas que os subsidiam. Neste sentido, uma vez que os programas já existentes privilegiam áreas teóricas, mais ligadas às ciências humanas, devem criar-se novos programas mais ligados à tecnologia e às áreas profissionais que ultrapassem o magistério. A expansão da pesquisa em áreas técnicas ligadas à Comunicação é uma exigência indisfarçável, para a evolução dos programas de pós-graduação em Comunicação. A necessária adequação ao mercado, o planejamento da educação e a seriedade acadêmica exigirão uma profunda reprogramação de todo o ensino. O ensino de Comunicação certamente não escapa a tal exigência. A via da compressão da graduação e do ensino privado, por um lado, e a expansão da pesquisa, da pós-graduação e da universidade pública, por outro, parece ser a saída mais indicada na encruzilhada em que se encontra a universidade brasileira. A dúvida crônica que nos perturba resulta da tradição da ambigüidade dominante ou, simplesmente, da naturalidade sociopolítica de perpetuar o estado colonial dentro da universidade. Delfim Soares é sociólogo, doutor em Filosofia e professor do Departamento de Comunicação da UFF.
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