O xadrez aplicado à educação especial

 

O presente artigo abordará o xadrez como ferramenta de apoio à educação especial e a maneira como ele tem sido visto por educadores e alunos da APAE de S. S. Paraíso, onde o Projeto de Xadrez nas Escolas foi levado pela Prefeitura Municipal, no ano de 1997, quase que de forma pioneira em todo o Brasil, já que não temos notícia até o momento de outras escolas voltadas para deficientes que tenham incluído o xadrez entre suas atividades.

Em 1997 a então diretora da escola, Josélia Martins, deu todo o apoio necessário para que o xadrez tivesse plena aceitação por parte dos alunos, e a atual diretora, Marilene Borborema, tem incentivado igualmente esse iniciativa.

Professora Ligia Mumic

A matéria foi redigida pela professora Ligia Mumic Silveira Neves, que vem acompanhando as aulas desde sua implantação. Ligia é pedagoga, com especialização em orientação educacional, graduada pela Universidade Estadual de Minas Gerais, campus de Passos, e fez pós-graduação em direito educacional nas Faculdades Claretianas de Batatais. Ela é professora há 15 anos e está na APAE desde 1996. Também é regente do Coral APAExonados.




 

Xadrez APAExonado

A APAE é a escola da compreensão, do carinho, da dedicação e do amor.

O Projeto Xadrez nas Escolas, mantido pela Prefeitura Municipal de São Sebastião do Paraíso, foi implantado em 1994, revelando nas escolas municipais e estaduais inúmeros talentos na arte do tabuleiro, alunos que hoje são destaques no cenário enxadrístico nacional.

Em 1997, o coordenador do projeto, Gérson Peres Batista, abraçou o desafio de ensinar xadrez na Escola Estadual "Mariana Marques" de Educação Especial - APAE - de São Sebastião do Paraíso.

Os professores Ana, Cristiane, Gérson e Ligia durante uma das aulas do projeto

Sabemos que a arte de jogar xadrez estimula atividades intelectuais, impulsiona a imaginação, desenvolve a memória, a capacidade de concentração, a velocidade de raciocínio e ainda desempenha um importante papel socializante por ensinar a lidar com a derrota e a vitória, mostrando conseqüências de atitudes displicentes, levando ao hábito de refletir antes de agir.

Como estimular tudo isso em portadores de necessidades especiais?

Começa então um dedicado trabalho onde o professor divide seu tempo entre aulas, campeonatos, estudos sobre estas pessoas que fogem ao padrão médio de normalidade, apresentando desajustes emocionais e problemas no desenvolvimento físico e intelectual.

A deficiência auditiva não impediu que a aluna Vânia se tornasse uma excelente enxadrista e dançarina Terezinha (DA - deficiente auditiva) não viu obstáculos que a impedisse de aprender as regras e noções elementares do jogo

Passa rapidamente a se inteirar com os profissionais da escola, participando de eventos e atividades escolares, criando um forte vínculo afetivo com os nossos alunos.

A APAE é a escola da compreensão, do carinho, da dedicação e do amor.

Os alunos especiais são dotados de rara sensibilidade, sendo verdadeiros, sinceros e puros, porque agem sempre com o coração.

Enfrentam os obstáculos e dificuldades de suas deficiências porque não enxergam o preconceito.

A partir dessas descobertas, foi usada uma didática especial para com esses seres especiais. Para os deficientes auditivos, criaram-se gestos para cada peça e seus movimentos, jogadas, tomadas, xeque e xeque-mate. Com os portadores de Síndrome de Down, de deficiência mental e de paralisia física, relacionou o jogo a situações lúdicas, motivadoras e criativas.

Aos poucos, nossos alunos estavam criando estratégias, armando jogadas, fascinados com o universo do xadrez, passando a participar de campeonatos internos e até regionais, incluindo-os ainda mais na sociedade.

A professora de xadrez Cristiane Goulart e seus alunos

As inteligências que o xadrez desenvolve despertaram nos alunos capacidades e potencialidades ainda reprimidas.

Em 1999, devido ao grande número de aulas em diversas cidades, campeonatos e estudos da arte de Caissa, Gérson precisou se afastar do projeto, mas seu trabalho na APAE teve continuidade com seus ex-alunos Danilo, Cristiane e Gilberto.

Fica então a mensagem de boa vontade, empenho e carinho do propulsor e divulgador do jogo da inteligência, mostrando que nada é difícil ou impossível, basta acreditar e fazer.

Autora: Ligia Mumic Silveira Neves