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Aliados
a tudo isto, no conjunto de atrativos naturais de Petrópolis,
distribuídos pelo relevo riquíssimo, encontram-se poços e riachos
perfeitos para o banho, belos vales que cortam as escarpas íngremes e,
ainda, áreas de grande importância histórica e cultural, como o próprio
Centro Histórico, o Caminho do Imperador, a Estrada das Lajes Soltas e o
leito da extinta Estrada de Ferro Grão-Pará. Por fim, Petrópolis esbanja
cenários de rara beleza, que encantam seus conterrâneos e sempre
encantarão qualquer turista, seja para escalar suas montanhas, ou
simplesmente passar um fim de semana curtindo a cidade.
O Guia de Escaladas de
Petrópolis divulga a beleza do município, com sua natureza exuberante, e
o potencial que suas paredes oferecem para a exploração de novas rotas de
escalada. Por fim, narrando década a década, o Guia ainda faz o resgate
de toda a história do montanhismo na cidade, que conta com uma tradição
de mais de setenta anos.
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Apresentação
por André Ilha
A cidade de Petrópolis é, inquestionavelmente, um dos
principais centros de escalada de todo o Brasil, e dois fatores são
decisivos para conferir veracidade a esta afirmação: suas montanhas e
seus montanhistas.
Apesar de ter perdido significativas extensões de seu
território original para municípios que se emanciparam recentemente, como
São José do Vale do Rio Preto e Areal, Petrópolis ainda reteve em seus
limites um extraordinário conjunto de montanhas de grande porte, que se
constituem em um verdadeiro paraíso para os escaladores. Suas montanhas
apresentam, em geral, um formato arredondado - grandes domos graníticos
encimados por densa vegetação e ostentando paredes lisas, com um imenso
potencial para escaladas livres, especialmente vias de agarras e
aderência protegidas por grampos, embora muitas fendas pequenas também
possam ser encontradas pelos observadores mais atentos.
Estas grandes montanhas, entre as quais se destacam Maria
Comprida, Mãe D´Água, Cantagalo, Pedra do Cortiço e outras, parecem ter
servido de poderosa fonte de inspiração para os moradores da pequena
cidade serrana, pois desde a década de 30 que elas vêm sendo trilhadas,
por caminhada ou por escalada, por jovens e veteranos locais, que
estabeleceram, ali, um sólido núcleo de praticantes do "esporte
diferente", muitos deles reunidos em torno do tradicional Centro
Excursionista Petropolitano - CEP, fundado em 15 de maio de 1958, e dos
dois clubes que o antecederam.
Na verdade, pode-se dizer que, para o tamanho da cidade,
existe um número desproporcionalmente grande de excelentes montanhistas
em Petrópolis, desde dedicados caminhadores, que não se cansam de
percorrer os roteiros mais aventureiros da cidade e da vizinha Serra dos
Órgãos, quanto de escaladores que se situam na elite dos praticantes de
todas as modalidades da escalada em rocha, do bouldering às vias de big
wall, passando pelas vias esportivas e, principalmente, pelas escaladas
em livre de todos os tamanhos e graus de dificuldade.
E quando falamos em elite não nos referimos apenas à
competência técnica, mas também à firme defesa dos princípios éticos que
norteiam o nosso esporte, sendo inconcebível, para o escalador
petropolitano típico, coisas como a grampeação de fendas, a utilização de
agarras artificiais em rocha ou o estabelecimento de
"paliteiros" medíocres.
Por tudo isto, é com orgulho e satisfação que recebi o
convite para prefaciar este Guia de Escaladas de Petrópolis, obra que nos
chega já com considerável atraso, tendo em vista a importância da área
por ela coberta.
Normalmente espera-se que quem prefacia uma obra vá falar
palavras simpáticas sobre a mesma, mas neste caso os autores facilitaram
muito a tarefa, pois trata-se de uma produção apurada, tanto na forma
quanto no conteúdo. O guia inclui quase todas as escaladas existentes em
Petrópolis, salvo poucas exceções em pontos extremos do município. Para
melhor compreensão, as montanhas aparecem divididas em setores, que vão
desde aquelas existentes na subida da serra (Pedra do Rolador e Agulha do
Cuíca) até os grandes morros de Secretário, passando pela estrada do
Contorno (BR-040, Araras) e pelas escaladas urbanas do Morro da Formiga e
adjacências.
Mapas explicativos localizam perfeitamente cada montanha,
falésia ou bloco em seu respectivo setor, e todas as vias foram incluídas
em fotodiagramas, montados sobre ótimas fotos de Alexandre Berner.
Pequenas descrições individuais sobre cada via completam um conjunto de
dados que possibilitam qualquer um achá-la e saber o que dela esperar.
Estas, afinal, são as principais funções de um guia de escaladas, e o
trabalho de Luciano e Paulo Lucio as atende muito bem.
O guia também resgata muitos dados importantes da história
da escalada em Petrópolis, tendo os autores entrevistado vários
escaladores que tiveram importância no desenvolvimento local do esporte.
O surgimento e o desaparecimento dos diversos clubes que a cidade já
teve, a evolução dos estilos, as vias que marcaram cada época - tudo isso
é abordado de forma sucinta, mas clara, ajudando os jovens leitores a
enxergarem o tempo atual em perspectiva, e os pioneiros a recordar
aventuras passadas.
Esta é, portanto, uma
obra indispensável para aqueles que querem desfrutar de um dos mais
importantes centros de escalada do País, e mais um importante passo para
a documentação do rico acervo de escaladas do Estado do Rio de Janeiro.
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